07/06/2011 - 08:30:00
06/06/2011 - 18:55:24
Empresas uniriam fábricas de pequenas telas
(Reuters) - As japonesas Toshiba e Sony estão nos estágios finais de uma negociação para combinar suas unidades de fabricação de pequenos painéis de LCD que criará uma possível nova líder de mercado global, afirmou o jornal Nikkei.
O fundo de investimentos do governo japonês Innovation Network investirá cerca de 100 bilhões de ienes (1,24 bilhão de dólares) e deterá de 70 a 80 por cento da empresa resultante de fusão, afirmou o Nikkei, citando fontes.
A Toshiba Mobile Display detinha 9,2 por cento do mercado mundial de pequenos painéis de LCD em 2010, enquanto a Sony Mobile Display tinha 6,1 por cento. A Sharp liderava o segmento com uma fatia de 14,8 por cento do mercado, disse o jornal.
A nova companhia pode usar o investimento para apresentar novas linhas de produção de última geração em uma fábrica da Sony em Higashiura, na província de Aichi, afirmou o Nikkei.
A empresa também desenvolverá tecnologias para a produção em massa de painéis OEL, mais conhecidos como painéis de Oled (diodo orgânico emissor de luz), que possuem resolução maior que painéis de LCD e consomem menos energia, segundo o jornal.
A Toshiba e a Sony estão buscando um acordo para este mês e a nova empresa deve ser formada ainda este ano, de acordo com o periódico.
(Reportagem de Arpita Mukherjee em Bangalore)
25/05/2011 - 11:25:16
Para recuperar mercado, um dos passos é reforçar sua linha de produtos e conteúdos
ESTOCOLMO/HELSINQUE - A Sony precisa afirmar seu controle sobre a Sony Ericsson caso deseje que a joint-venture de celulares recupere mercado e relevância no mundo dos aparelhos móveis, onde a concorrência é mortífera.
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No ano passado, a joint-venture criada 10 anos atrás adotou a ambiciosa meta de capturar o mercado para a plataforma Google Android, o software mais popular do mundo para celulares inteligentes, a fim de conquistar retorno favorável em um mercado lucrativo e de rápido crescimento.
Mas para atingir essa meta, a Sony Ericsson precisa de um proprietário dinâmico, com fortes recursos de investimento e ativos multimídia. A marca está perdendo prestígio em comparação com a Apple, cujos iPhones e iPads conquistaram a admiração dos compradores.
Se a Sony assumir controle pleno da joint-venture com a sueca Ericsson poderá reforçar sua linha mais ampla de produtos, que incluem conteúdo, aparelhos de videogame, bens de consumo eletrônicos e até mesmo computadores tablet, mas ainda não oferece celulares inteligentes com a marca da empresa.
"A Sony não pareceu inclinada a esse tipo de ação até o momento, mas agora essa questão da linha completa está atraindo muita atenção, e a Sony pode estar considerando a Apple como exemplo e imaginando que precisa apresentar oferta semelhante", disse Carolina Milanesi, analista do Gartner Group.
A joint-venture igualitária entre Sony e Ericsson, formada em 2001, prosperou inicialmente com os celulares musicais Walkman e os celulares fotográficos Cybershot, ambos os quais aproveitavam outras marcas da Sony.
Mas a aliança terminou perdendo para rivais mais enxutas nos modelos mais baratos e sua fatia do mercado total de celulares caiu a apenas 3%, ante 9% em seu período de pico.
Agora a Sony Ericsson deposita suas esperanças em mudar o foco para smartphones, a parte do mercado de telefones móveis que cresce mais rápido, especialmente os aparelhos acionados pelo Android.
A companhia vem conseguindo algum progresso e apresentou lucro líquido de 90 milhões de euros (206 milhões de reais) no ano passado, depois do prejuízo de 836 milhões de euros (2 bilhões de reais, aproximadamente) sofrido em 2009.
Para ter novos clientes, a Sony Ericsson precisa acessar o conteúdo popular da Sony. Isso inclui PlayStation, catálogo de músicas que inclui artistas como Justin Timberlake e Bob Dylan, e filmes e programas de TV como "Seinfeld".
A companhia deu passos nesta direção e lançou o modelo Xperia Play, que dá acesso a jogos do PlayStation.
Mas o aparelho veio tarde e com preço alto e está sendo minado pela própria Sony, que está lançando outros produtos que competem diretamente com ele.
A Sony recentemente lançou um computador tablet que executa o sistema Android, bem como um aparelho de jogos portátil com sua própria marca. A empresa também pretende licenciar o PlayStation para outros fabricantes de celulares.
"Ter todas as coisas sob um mesmo controle tornaria mais fácil para eles construir uma estratégia de rede", disse Nobuo Kurahashi, analista da Mizuo Investors Securities.
Mas não será fácil, com a Sony distraída com outras dores de cabeça. Esta semana, a companhia informou que vai ter um prejuízo líquido para o ano encerrado em março de 3,2 bilhões de dólares (5,21 bilhões de reais, aproximadamente) por causa dos efeitos do terremoto japonês de março.
"Dada a enormidade dos atuais desafios da Sony, uma busca pelo controle da Sony Ericsson parece improvável no curto prazo", disse Geoff Blaber, analista da CCS Insight.
23/05/2011 - 10:32:37
O Airboard, abandonado pela empresa japonesa, tinha tela plana e podia se conectar a internet
TÓQUIO/NOVA YORK - Se a Sony tivesse persistido com o computador portátil Airboard, que lançou em 2000, Satoru Maeda, e não Steve Jobs, da Apple, talvez estivesse sendo celebrado como o criador do tablet.
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"Eu inventei o Airboard," disse Maeda entre garfadas de camarão frito e bolinhos em um restaurante chinês no centro de Tóquio.
Ele estava se referindo a um aparelho dotado de tela plana que precedeu o iPad por uma década e oferecia vídeos, tela de toque para digitação e acesso à internet.
O preço salgado e a qualidade de imagem precária foram dois dos motivos para que o produto, que em retrospecto parecia estar adiante de sua era, não tenha decolado com rapidez. Disputas políticas internas e uma série de reorganizações divisionais que causaram perturbações na companhia garantiram que ele jamais recebesse a atenção de que necessitava para conquistar o sucesso, segundo Maeda.
A transformação do Airboard em Location Free TV, um aparelho que permitia assistir canais de TV locais em qualquer lugar, não bastou para convencer a Sony ou o mercado de que a ideia funcionaria. O projeto, que chegou a ser alardeado como tão revolucionário quanto o Walkman, foi inteiramente abandonado em 2008.
Maeda disse saber um ano antes que a Sony, sob o comando de Howard Stringer, que se tornou presidente-executivo em 2005, abandonaria sua invenção, depois de receber um e-mail de seu chefe.
Pouco depois, Maeda deixou a empresa para a qual havia trabalhado desde 1979, quando a Sony lançou o Walkman e se tornou uma das empresas mais atraentes do mercado. Foi um período de glória que Stringer prometeu retomar, mas que Maeda, hoje executivo da fabricante de equipamentos audiovisuais Kenwood JVC, não acredita que volte.
"A velha guarda da Sony gostava do Airboard e do Location Free TV porque eram produtos novos, e era isso que a Sony fazia," disse Maeda. "O pessoal que comanda a Sony atualmente não tem experiência com essas coisas, porque não introduzem produtos novos há cerca de dez anos."
Assim, Maeda e outros ex-funcionários da Sony insistem que sua antiga empregadora enfrenta sérias dificuldades e que Stringer, 69, não tem mais muito tempo para cumprir sua promessa de reinventar a empresa.
É certo que Stringer pode alardear seu papel no desenvolvimento dos filmes 3D e a vitória do padrão Blu-ray, promovido pela Sony, na guerra dos formatos de vídeo de nova geração. Mas a companhia continua defasada em relação ao restante do setor da tecnologia, e seu talento para desenvolver inovações que atraiam o público praticamente se evaporou.
Um escândalo causado por ataques de hackers em abril expôs mais de 100 milhões de contas da rede online de videogames da empresa a possível roubo de dados e, não só prejudicou sua imagem, como representa ameaça para a estratégia online que tem por objetivo unificar uma corporação diversificada. Os problemas podem prejudicar o plano de sucessão cuidadosamente preparado para quando Stringer se aposentar.
E não são apenas antigos executivos do grupo que veem a magnitude de seus problemas.
Uma sucessão de importantes executivos de empresas norte-americanas de tecnologia, falando no Reuters Global Technology Summit, uma semana atrás, não mediram palavras quando questionados sobre a Sony. Robert Glaser, presidente do conselho da RealNetworks, companhia de software de mídia para a Internet, comparou a tarefa de Stringer na reabilitação da Sony a "introduzir o capitalismo no bloco soviético depois de 50 anos de comunismo."
A erosão da posição da Sony serve como alerta do que pode acontecer a empresas de tecnologia que perdem seus líderes inovadores. Quando a Sony, comandada por seu co-fundador Akio Morita, lançou o Walkman, a empresa serviu de inspiração aos fundadores da Apple Computers, uma empresa minúscula que acabava de ser criada nos Estados Unidos.
"A Sony tinha os produtos mais incrivelmente bem planejados do mundo. Queríamos ser como eles desde o primeiro dia," disse Steve Wozniak, co-fundador da Apple, em entrevista recente à Reuters. Na época, "nenhuma outra empresa no mundo podia servir de modelo para os bens eletrônicos de consumo."
A Sony continuou a servir como referência ao longo dos anos 80, quando Morita transferiu o comando criativo ao excêntrico Norio Ohga, que havia estudado para ser cantor de ópera e chamou a atenção do fundador ao escrever para a empresa se queixando da qualidade de suas fitas cassete.
Mas esses sucessos resultaram em complacência. "Se você tivesse a marca Sony na camisa, tudo estava bem e, por isso, eles pararam de pensar," disse Maeda.
Em 1989, a expansão da economia japonesa começou a enfrentar obstáculos e a Sony cometeu seu primeiro grande erro, ao adquirir o estúdio cinematográfico norte-americano Columbia Pictures, junto à Coca-Cola, por 3,9 bilhões de dólares.
Cinco anos mais tarde, Ohga transferiu o comando a Nobuyuki Idei, e a Sony teve de registrar prejuízo de 2,7 bilhões de dólares com a aquisição, depois de uma série de fracassos de bilheteria.
Em 2000, antes do lançamento do iPod, o valor de mercado da Sony era sete vezes maior que o da Apple. Hoje, sua capitalização equivale a apenas 9 por cento à da empresa norte-americana, e os preços de suas ações pouco mudaram desde 1995.
Discutindo o futuro da empresa no jantar em Tóquio, Maeda, o criador do Airboard, demonstra pessimismo. "Não creio que a Sony possa mudar," afirmou. A menos, acrescentou, "que encontre um líder como Steve Jobs."
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